Enem 2018: fragmento de ‘Eu e o silêncio do meu pai’ ajuda a treinar análise de texto

Dica por Joelma de Sousa, professora de Linguagens do Século Colégio e Curso

Se as férias são o desagrado para o menino, pois são tempo para ficar em casa, sem livros, sem viagens, um ou outro domingo na casa do tio Jorge, tão pobre quanto eles, o retorno às aulas também traz pouca alegria. Não pelas aulas ou pelo estudo, que disso o menino gosta. O que lhe causa tanta aflição é a falta de criatividade das professoras que, ano após ano, solicitam sempre a mesma tarefa no primeiro dia de aula.

A professora entra na sala e (não importa que rosto tenha) apresenta-se, sorri e com uma voz de fada de primeiro dia de aula, escreve no quadro a sentença detestável: Minhas férias.

RITER, Caio. Eu e o silêncio do meu pai. São Paulo: Biruta, 2011, p.82.

Tendo em vista a situação relatada no contexto da obra, infere-se a intenção do narrador de:

  • a) associar o pouco interesse pelo estudo à frustração com as atividades propostas no primeiro dia de aula.
  • b) criticar a tradição escolar que transforma a prática de produção textual em uma atividade sem sentido.
  • c) explicitar a relação entre a condição econômica da família e a dificuldade de acesso a livros de qualidade.
  • d) questionar o senso comum que representa o período de férias como um momento de descanso das obrigações escolares.
  • e) assim como objetiva toda narrativa, levar o leitor a refletir acerca das suas memórias com o propósito de distraí-lo.

Resposta: [B]

Ao assinalar a ausência de criatividade das professoras no primeiro dia de aula e identificar uma tarefa comum dada por toda e qualquer professora, o narrador acaba tecendo uma crítica à tradição escolar, sobretudo à prática da produção de texto (que é apresentada nessa tarefa). Assim, embora admita que a personagem tenha gosto pelo estudo e por aquilo que a escola poderia trazer de conhecimento, critica a postura escolar de tornar atividades que poderiam ser interessantes em algo mecanizado e enfadonho.